quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

A Cultura Afro Riograndense


Cultura, palavra que por vezes é entendida como sinônimo de educação, desta acumulada pelo tanto de livros devorados, títulos acadêmicos, enfim, o estado educacional de alguém. Em contrapartida, cultura designa também o conjunto de regras e condutas que norteiam uma sociedade ou grupo, e ouso ir além, dizendo que a cultura de um povo é responsável pelo seu entendimento de mundo, e assim fornece a identidade daquele indivíduo, que passa a expressar a sua cultura.

Quando estudamos a cultura africanista, e não só a cultura deste povo, mas de todos povos, devemos sempre ter o cuidado de não interpretar negativamente as ideias do outro, e nem ter como base apenas os estudos de um ou outro autor, mas de vários deles, pois estamos no risco de toda sorte de deturpações que as vezes os entendimentos pessoais podem trazer. Já diz um ditado popular: “A comida parecerá boa apenas se puder experimentar e sentir a mente e o coração da pessoa que a cozinhou”. Em matéria de cultura igualmente, se não vivenciar, não experienciar aquela cultura, não há como traduzi-la em toda sua expressão. 

Apesar da Bahia ser referência em matéria de cultura Afro Brasileira, o estado do Rio Grande do Sul é maior em número de terreiros de Umbanda(IBGE, 2010), tem uma tradição muito forte do Batuque Gaúcho(modalidade de religião Afro Brasileira, de matriz africana), uma variedade de comidas do cardápio gaúcho com herança afro, nomes de animais, quilombos que povoaram as ilhas de Porto Alegre, enfim, uma extensa lista de heranças deixadas pelos nossos antepassados africanos que por aqui aportaram, legando sua mão de obra que alicerçou o estado gaúcho, e marcando profundamente a cultura do estado.

Tendo um olhar mais específico no Batuque gaúcho, entendemos que o éthos batuqueiro é profundo nos seus integrantes, que tem uma expressão importante em número de adeptos no estado. Os batuqueiros, assim chamados por fazerem parte deste grupo, tem uma visão de mundo à parte da massa da sociedade, que podemos dizer, tem uma percepção de mundo “branca”, europeia e católica, em oposição a cultura batuqueira “negra”, africanista, adoradora de Orixás e ancestrais. Uma simples conversa com um batuqueiro denuncia sua visão de mundo, destoante em diversos aspectos da cultura dominante, como a falta de oposição entre profano/sagrado, a crença na energia vital como fonte de saúde, prosperidade e bem estar, em lugar de dietas e medicamentos, oferendas como meio de comunicação com o sagrado ao invés de orações, enfim, toda uma carga de cultura africana e seu modo de entender e viver a vida. Duas visões de mundo, duas culturas, maneiras diferentes de entender e viver neste mundo. O ser humano é o mesmo, mas os entendimentos são diferentes. De um lado, uma herança africana, plural, que não é exclusivista, que entende as manifestações de modo pluriversal. De outro, a cultura ocidental, exclusivista, universal, e este universal tem o sentido de ser a única, a verdadeira para o mundo todo. Infelizmente, a herança exclusivista entende o outro como algo negativo, inferior, e isto nos renderia muitos parágrafos, aos quais não dispomos no momento.

Porto Alegre, capital gaúcha, é uma cidade que de acordo com seus moradores, “cheira a batuque”, devido ao grande número de adeptos desta religião afro. Mesmo assim, expressar sua religiosidade, sua cultura em público pode virar motivo de tensões e até xingamentos do tipo: ‘-Lá vão os batuqueiros largar despacho nas encruzilhadas”.

O simples fato de estar vestido de branco, usando colares de conta no pescoço, típicas vestimentas do povo batuqueiro gaúcho, já faz com que sejam mal vistos pela sociedade. Somos o que ouvimos, consumimos, aprendemos e sentimos, e neste sentido, algumas pessoas entendem que o deus do outro não é deus, é diabo. Até o despacho, ou a oferenda ritual realizada pelo povo do batuque, apesar de Porto Alegre ter locais destinados pelo poder público para a prática, seguidamente a área é profanada por aqueles que ainda carregam o fardo do preconceito. Para estes, é difícil entender que as religiões africanistas são muito mais de estômago, contrário das religiões ocidentais, que são mais intelectuais. Para o batuqueiro, rezar é muito cabeça, triste, não expressa alegria. Na visão do batuque, compartilhar o alimento com os deuses é expressar vida, e afirmar os laços de cumplicidade entre humanos e deuses.

O Brasil, ao nosso entender, não pode ser visto como africano, alemão, italiano ou europeu, mas brasileiro. Somos um país continental, mas um país mestiço. Aqui não podemos falar de uma raça pura, mas sim uma raça brasileira. Ainda hoje códigos sociais e culturas alheias ainda podem ser motivo de tensões para nosso povo, onde bastaria uma dose de humanidade para entender que, apesar de nossas culturas diversificadas, no final das contas somos apenas seres humanos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Diálogo com os Guias- Vó Maria Conga

 Saudações caros leitores(as) deste espaço. Este texto foi escrito por mim em Maio de 2018, data de festejar os Pretos Velhos. Estava guardado, entre tantos outros, e resolvi publica-lo. São diálogos interessantes, e como sempre, vindo dos Guias, sempre atuais. Segue o texto:


Na festa em homenagem aos Pretos Velhos aqui na Tenda, em um bate papo descontraído com uma entidade de Umbanda, conhecida por Preta Velha Maria Conga (quem já conversou com um Preto Velho sabe do que estou falando), com seu jeito tranquilo e dócil, parecendo aquela avó que nos colocava no seu colo para contar causos, seguiu o seguinte diálogo:
-Salve minha mãe! Estou feliz de vir até aqui saudar a senhora. Hoje nesta festa, dia dedicado a vocês, quero lhe agradecer minha mãe, por tudo que tem feito por todos nós aqui na Tenda.

-Saravá zifio. Nega que agadece os agrado.

-Esta tudo a seu contento minha mãe?

-Num carecia de tudo isso, hehehe(risos). Mas ta bem bunito, e mais bunito ainda é que suncês tão feliz cum nóiz, e arrepartindo o pão. Sabe fio, tudo isso é mais pra suncês que pros nêgo. Mais o mais importanti é que suncês fazem isso e cresce o espírito de irmão entre suncês!

-Verdade minha mãe. Mas quero aproveitar e lhe pedir auxílio minha mãe. Estou numa luta bem grande, posso dizer que comigo mesmo, lutando contra "coisas" que estão enraizadas na minha alma e estou em batalha para vencê-las. Quero fortalecer minha mente, e não sucumbir as tentações minha mãe...

-Fio, todo mundo acha que pra paga o que deve a Zambi(Deus) tem que sofrê, acha que sofrendo vai paga e tá em paiz. Hehehe; aí que se enganu! Quando sófre é só pra podê aprendê fio. Pra paga a Zambi é só com amor. Tem que paga o sofrimento com amor!
Essa força que o fio qué pra vencê o fio mesmo, tu tem fio! E nega sabe que tu vai vencê. O fio vencêndo vai se exemplo pros otro. Nega vai ajudá. Essa necessidade que fio tem de luta contra tu mesmo, é pra fio cresce! Só cresce fio quando vai se soltando da carne. Tudo que te prende a carne fio faz tu fica parado, num cresce! E tem mais fio: Suncês são tão egoísta que acham que sofrem mais que todo mundu. O fio já tento só pensa que num é? Tento pensa diferenti pra num sofre?

-Sem palavras minha mãe. Grato pelos conselhos. Sua benção, e lhe peço proteção ao seu aparelho. saravá minha mãe.

-Saravá fio!

Assim, na festa de Pretos Velhos aqui da Tenda de Umbanda Xangô 7 Raios, ouvi esses conselhos com a sabedoria de alguém que resumiu uma lei espiritual em algumas palavras, e colocou tal profundidade, que fiquei engasgado e com seus conselhos ruminando dentro de mim, e não era pra menos.
Quando mãe Conga nos diz que só pagamos com amor, ela traz uma profundidade para a lei da reencarnação que nos diz que, só realmente concertamos algo quando reparamos o erro cometido ao outro lhe fazendo feliz, e não convivendo com alguém por conviver, suportando algo e dizendo que está "pagando".
Não, no máximo experimentando algo que já tenha causado ao outro, mas só adquirimos crédito frente ao banco cármico quando retribuímos, ou ressarcimos o irmão com amor e felicidade. Ainda assim, lembrou-me que por vezes, o simples "mudar de foco" já pode fazer toda diferença.
Salve as almas!

Obs: Preservei as palavras como falam os Pretos Velhos para distinguir sua fala.
Estas postagens de "Diálogo com os guias" serão seguidas. Nomes e circunstâncias serão trocados para privacidade dos consulentes, mas o conteúdo preservado. Estes diálogos são verídicos e aconteceram no decorrer das sessões da Tenda 7 Raios.

Faço trabalhos para matar!

 


A Filha de Santo chegou para seu pai espiritual e disse: Pai, não aguento mais a minha vizinha! Quero matá-la, mas tenho medo que descubram. O senhor pode me ajudar? O Pai respondeu: Posso sim minha filha, mas tem um porém...Você vai ter que fazer as pazes com ela para que ninguém desconfie que foi você, quando ela morrer. Vai ter que cuidar muito bem dela, ser gentil, agradecida, paciente, carinhosa, menos egoísta, retribuir sempre, escutar mais...Tá vendo este pozinho aqui? Todos os dias você vai colocar um pouco na comida dela. Assim, ela vai morrer aos poucos.

Passado os 30 dias, a filha voltou e disse ao pai: Eu não quero mais que ela morra! Eu passei a amá-la. E agora? Como eu faço para cortar o efeito do veneno? O pai, então, respondeu: Não se preocupe! O que eu te dei foi pó de arroz. Ela não vai morrer, pois o veneno estava em você! Quando alimentamos rancores, morremos aos poucos. Que possamos fazer as pazes conosco e com quem nos ofendeu. Que possamos tratar os outros, como gostaríamos de ser tratados. Que possamos ter a iniciativa de amar, de dar, de doar, de servir, de presentear...e não só de querer ganhar, ser servido, tirar vantagem e explorar o outro. Que o amor de Olodumare (*Criador Supremo*) nos alcance todos os dias, pois não sabemos se teremos tempo de nos purificarmos com este antídoto chamado perdão e altruísmo.

Autor desconhecido

sábado, 1 de janeiro de 2022

Mensagem de Natal e ano novo.

 Saudações caros leitores(as) deste espaço. Antes, vamos desejar os nossos mais sinceros votos de um 2022 feliz e próspero, com as bençãos de nossa amada mãe Oxum, regente de 2022. Em breve faremos uma postagem a respeito das regências deste ano.

Pois bem, vamos deixar aqui um recorte de uma mensagem do próprio Caboclo das 7 Encruzilhadas. Esta mensagem foi distribuída em um panfleto, na casa de pai Zélio. Não sabemos o ano que foi a circulação, mas o que importa é seu conteúdo. Fique com esta pérola. Axé.

Clique na imagem para ampliar.



segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

O por que reencarnamos segundo o espiritismo


Há tempos a humanidade vem se questionando por meio de cientistas e religiosos se o homem pode retornar ao corpo físico, reencarnar várias vezes com tarefas definidas e, com isso, transformar imperfeições em virtudes, reajustando a consciência em relação aos próprios atos falhos do passado.

Segundo o Espiritismo, na medida em que vamos conhecendo o estudo sobre a vida, aprendemos mais sobre a criação do espírito, as existências, os planetas e as condições de abrigo e sustentação para o crescimento moral de todo aquele que evolui de acordo com o próprio esforço e ação no bem.
Estudiosos da Doutrina Espírita ainda afirmam que a reencarnação do espírito se dá por meio de uma necessidade natural, em que após um período na erraticidade, ou seja, no plano espiritual, o espírito reencarnante se submete a novas experiências no plano físico, a fim de aprimorar o aprendizado do amor universal entre pessoas e situações para fortalece-lo no alcance deste objetivo.
Espíritas e espiritualistas revelam que Deus nos concede o esquecimento das vidas passadas para evitarmos conflitos indesejáveis, como por exemplo as acusações, fracassos e frustrações das quais passamos e que nos perseguiriam por todo o período reencarnatório com aqueles a quem prejudicamos, ou por quem fomos prejudicados de uma forma direta ou indireta.
Na obra “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, capítulo VII – Retorno à vida corporal – Esquecimento do passado, encontramos mais esclarecimentos sobre a questão do esquecimento de vidas passadas na pergunta 393: “Como pode o Homem ser responsável por atos e resgatar faltas dos quais não se recorda? – Seria concebível que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, desde que não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim que ele está sempre a recomeçar.”
As conclusões apresentadas pelos espíritas, conclamam que o ser reencarnado atende sua consciência no cumprimento do bem, por isso, aceita as dores de sua existência sem se entregar a elas, traçando um foco para o avanço moral / intelectual, entendendo que tudo faz parte de um planejamento que pode e deve ser melhorado por sua atitude.
No mesmo livro citado acima, encontramos um trecho que ressalta os benefícios da reencarnação no capítulo II – Encarnação dos Espíritos – Finalidade da encarnação, pergunta 132: “Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos? – Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição: para uns, é uma expiação; para outros, uma missão. Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea: nisto é que está a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade, que é a de por o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. É para executá-la que ele toma um aparelho em cada mundo, em harmonia com a material essencial do mesmo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também progredir”.
O Espírito de Verdade, responsável pela organização da obra O Livro dos Espíritos, em uma mensagem nesta mesma obra, ressalta a importância de refletir sobre a reencarnação e seus benefícios: “O Homem não pode permanecer perpetuamente na ignorância, porque deve chegar ao fim determinado pela providência; ele se esclarece pela própria força das circunstâncias. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram pouco a pouco nas ideias, germinam ao longo dos séculos e depois explodem subitamente, fazendo ruir os edifícios carcomidos do passado, que não se encontra mais de acordo com as necessidades novas e as novas aspirações”. Espírito de Verdade – Livro dos Espíritos

O Espiritismo afirma que somos alunos da vida e que sempre haverá algo para aprender, conceitos a reaprender, informações a adquirir. Ressalta que estamos relacionados à lei do amor, transformando no presente, o passado de equívocos, em um futuro promissor de virtudes e conquistas, por meio das sucessivas existências que tivemos e que ainda teremos na aquisição da evolução do espírito.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

É chegada a Hora do Cristo!

 


             

Jesus salve a Umbanda!!

             O Mundo está em festa, novamente é Natal. Cerca de 7.000.000.000 de pessoas vão comemorar o Natal. E um Natal como deve ser: com Papai Noel gorducho com uma enorme barba branca, de vermelho e branco, uma linda árvore de natal, cheia de bolinhas coloridas e pisca-pisca, colocada na sala de casa, algumas perto da lareira, outras perto da televisão. 

             E não podemos esquecer do personagem principal: os presentes e os horripilantes e assustadores panetones de frutas, cujas frutas tem gosto de isopor molhado...  

              Francamente, eu adoro tudo o que descrevi (menos a parte do panetone de frutas). Tudo. Cada detalhe do Natal. Na condição humana, vivo como um humano e vivo conforme meu coração.

              Bom. Mas o caso é que ouvi agora no mês de dezembro uma frase que me chamou a atenção AINDA MAIS para a importância desta data. E considerando a condição espiritual do autor da frase - um Guardião da Legião do Sete Focos da Umbanda - a citação precisa ser levada a sério. 

Ele disse: é chegada a Hora do Cristo!! 

Notem, ele poderia ter dito é chegado o natal; mas não, ele se referiu a esta data natalina como a Hora do Cristo!!!!!

Desta afirmação se pode facilmente retirar incríveis conclusões: 1 - O Mundo Espiritual reconhece o nascimento de Jesus. 2 - O Mundo Espiritual comemora o nascimento de Jesus. 3 - A Umbanda reconhece o nascimento de Jesus. 4 - Os Guardiões também, RESPEITANDO a data. 5 - O Mundo Espiritual se prepara a Data do Cristo.

Por fim: acho que eles estão cagando para o Natal criado pelo humanos!!!

Mas então meus irmãos da umbanda e de umbanda, que tal a gente fazer um novo fim desta vez??? Sim, um novo fim porque o início já fizemos errado. 

Que tal ao lado da Árvore de Natal, colocarmos uma fotografia do Cristo, daquele homem lindo, de olhos azuis, cabelos compridos, de barba...sim...isto mesmo...sem mi mi mi sobre aparência, a imagem é a que nós criamos e ponto final...o formato pouco importa...o que importa é amor nosso por ele, por aquele Espírito da Verdade que escolheu vir até aqui como uma criança, numa mãe ainda adolescente, Maria, com um pai que fazia móveis, José.

Que tal usarmos o Natal para nos humanizar ainda mais, sentindo o Amor que vem do Alto para nós simples humanos, nesta vida difícil e complicada na Terra. Tudo foi feito para nós, para nossa permanência aqui. Vejam que basta REcomecar. E para este REcomeço a Umbanda é a melhor conselheira.

Uma boa correção na direção do que a Umbanda quer de nós umbandistas, é sentir o Amor do Cristo por nós de forma a espelhar e a replicar este Amor ao nosso próximo, criando uma tatuagem em nós a permanecer por muitos meses, como se fosse um risco de pemba branca...

Porque a nós umbandistas não nos é dado o direito de esquecer de Cristo neste época do seu nascimento, do Espírito que ordenou a criação da Umbanda, desta Umbanda para quem trabalhamos, vestimos branco e colocamos guias, várias por sinal. 


Amor, só o Amor é o caminho! Foi isto que Cristo veio ensinar. Nada mais.

E Xango vem bradar: 

O AMOR É A UNICA LEI.

Um Feliz Natal e uma Feliz Hora de Cristo a todos os irmãos.

José Augusto da Cunha Meira

 

      

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Um espelho sem a nossa imagem refletida!!


 Jesus salve a Umbanda!!

Xangô exige que, usando a razão e a inteligência, devemos aprender com a experiência. O passar dos anos, o passar das décadas, de meio Século e já mais de um Século – precisamente 113 anos depois que o Caboclo das 7 Encruzilhadas se revelou para nós – nos deixaram com uma vasta experiência de como exercer o Ofício Religioso de ser Umbandista, através da Caridade, da Dignidade, da Honra, da Moral e da Ética.

Pois bem, estabelecidas estas duas premissas da experiência de mais de 100 anos e o uso da razão, vivemos ainda tempos dificeis entre nós. Parece que as religiões de matriz africana em nada aprenderam com o passado: a vaidade e o ego unidos entre si, transformando o trabalhador na peça mais importante das sessões, a que mais precisa aparecer…

Entrelaçados, amarrados, juntos e em comunhão de esforcos e de objetivo, a vaidade e o ego dos médiuns chamam mais a atenção do que aqueles pobres humanos, sentados na assistência, e que SÃO OS VERDADEIROS ALVOS DA ESPIRITUALIDADE, POR ORDEM EXPRESSA DO CRISTO.

Como um ácido invisível fixado em seu espírito, a valorização exacerbada de sí próprio em detrimento do que Cristo quer, do que o Guia Chefe da Terrreira quer, é de uma insanidade absurda. Além do óbvio ato de desobediência ao Comando de uma Terreira, demonstra descontrole das qualidades necessárias ao trabalhador deste tipo de seara, prejudicando os trabalhos e atrasando a evolução do médium.

Nestes tempos bicudos, onde a tentação de se mostrar mais que a própria Espiritualidade é quase generalizada, é imprescindível que sejamos como Pai Antônio, o primeiro preto velho da Tenda de Zélio, que não sentava em cadeiras porque tinha vergonha; ou como o Caboclo das 7 Encruzilhadas, um Espírito Superior que veio vestido de índio; talvez como Pai Zélio, Pai Michael de Oxalá ou a Mãe Andréia de Xango, que ninguem vê ou percebe nas giras: se ninguém contar, ninguém sabe que eles são os Sacerdotes!!!!

Enfim, sejamos talvez como Madre Tereza de Calcutá que todas as noites pedia ao Cristo para que não existisse mais, que se esvaziasse de si, que sua vontade não existisse mais, apenas a vontade de ajudar aos pobres…

Trabalhadores da Umbanda, que nossas imagens não se reflitam mais no espelho, que nossas vontades e desejos estejam esvaziadas de nós, que nossas vontades sejam substituídas pela vontade do Caboclo Sete Raios dentro de sua Terreira…

Deixemos a vontade do Guardião Pedra Negra agir em nós…

Um saravá a todos os irmãos.

José Augusto da Cunha Meira

A Cultura Afro Riograndense

Cultura, palavra que por vezes é entendida como sinônimo de educação, desta acumulada pelo tanto de livros devorados, títulos acadêmicos, en...